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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Mensagem do papa Bento XVI para o 44º Dia Mundial da Paz 2011

1º DE JANEIRO DE 2011



Liberdade religiosa, caminho para a paz



1. NO INÍCIO DE UM ANO NOVO, desejo fazer chegar a todos e cada um os meus votos: votos de serenidade e prosperidade, mas sobretudo votos de paz. Infelizmente também o ano que encerra as portas esteve marcado pela perseguição, pela discriminação, por terríveis atos de violência e de intolerância religiosa.

Penso, em particular, na amada terra do Iraque, que, no seu caminho para a desejada estabilidade e reconciliação, continua a ser cenário de violências e atentados. Recordo as recentes tribulações da comunidade cristã, e de modo especial o vil ataque contra a catedral siro-católica de «Nossa Senhora do Perpétuo Socorro» em Bagdá, onde, no passado dia 31 de Outubro, foram assassinados dois sacerdotes e mais de cinquenta fiéis, quando se encontravam reunidos para a celebração da Santa Missa. A este ataque seguiram-se outros nos dias sucessivos, inclusive contra casas privadas, gerando medo na comunidade cristã e o desejo, por parte de muitos dos seus membros, de emigrar à procura de melhores condições de vida. Manifesto-lhes a minha solidariedade e a da Igreja inteira, sentimento que ainda recentemente teve uma concreta expressão na Assembleia Especial para o Médio Oriente do Sínodo dos Bispos, a qual encorajou as comunidades católicas no Iraque e em todo o Médio Oriente a viverem a comunhão e continuarem a oferecer um decidido testemunho de fé naquelas terras.

Agradeço vivamente aos governos que se esforçam por aliviar os sofrimentos destes irmãos em humanidade e convido os católicos a orarem pelos seus irmãos na fé que padecem violências e intolerâncias e a serem solidários com eles. Neste contexto, achei particularmente oportuno partilhar com todos vós algumas reflexões sobre a liberdade religiosa, caminho para a paz. De fato, é doloroso constatar que, em algumas regiões do mundo, não é possível professar e exprimir livremente a própria religião sem pôr em risco a vida e a liberdade pessoal. Noutras regiões, há formas mais silenciosas e sofisticadas de preconceito e oposição contra os crentes e os símbolos religiosos. Os cristãos são, atualmente, o grupo religioso que padece o maior número de perseguições devido à própria fé. Muitos suportam diariamente ofensas e vivem frequentemente em sobressalto por causa da sua procura da verdade, da sua fé em Jesus Cristo e do seu apelo sincero para que seja reconhecida a liberdade religiosa. Não se pode aceitar nada disto, porque constitui uma ofensa a Deus e à dignidade humana; além disso, é uma ameaça à segurança e à paz e impede a realização de um desenvolvimento humano autêntico e integral.

De fato, na liberdade religiosa exprime-se a especificidade da pessoa humana, que, por ela, pode orientar a própria vida pessoal e social para Deus, a cuja luz se compreendem plenamente a identidade, o sentido e o fim da pessoa. Negar ou limitar arbitrariamente esta liberdade significa cultivar uma visão redutiva da pessoa humana; obscurecer a função pública da religião significa gerar uma sociedade injusta, porque esta seria desproporcionada à verdadeira natureza da pessoa; isto significa tornar impossível a afirmação de uma paz autêntica e duradoura para toda a família humana.

Por isso, exorto os homens e mulheres de boa vontade a renovarem o seu compromisso pela construção de um mundo onde todos sejam livres para professar a sua própria religião ou a sua fé e viver o seu amor a Deus com todo o coração, toda a alma e toda a mente (cf. Mt 22, 37). Este é o sentimento que inspira e guia a Mensagem para o XLIV Dia Mundial da Paz, dedicada ao tema: Liberdade religiosa, caminho para a paz.

Direito sagrado à vida e a uma vida espiritual

2. O direito à liberdade religiosa está radicado na própria dignidade da pessoa humana, cuja natureza transcendente não deve ser ignorada ou negligenciada. Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1, 27). Por isso, toda a pessoa é titular do direito sagrado a uma vida íntegra, mesmo do ponto de vista espiritual. Sem o reconhecimento do próprio ser espiritual, sem a abertura ao transcendente, a pessoa humana retrai-se sobre si mesma, não consegue encontrar resposta para as perguntas do seu coração sobre o sentido da vida e dotar-se de valores e princípios éticos duradouros, nem consegue sequer experimentar uma liberdade autêntica e desenvolver uma sociedade justa.

A Sagrada Escritura, em sintonia com a nossa própria experiência, revela o valor profundo da dignidade humana: «Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a lua e as estrelas que lá colocastes, que é o homem para que Vos lembreis dele, o filho do homem para dele Vos ocupardes? Fizestes dele quase um ser divino, de honra e glória o coroastes; destes-lhe poder sobre a obra das vossas mãos, tudo submetestes a seus pés» (Sl 8, 4-7).

Perante a sublime realidade da natureza humana, podemos experimentar a mesma admiração expressa pelo salmista. Esta se manifesta como abertura ao Mistério, como capacidade de interrogar-se profundamente sobre si mesmo e sobre a origem do universo, como íntima ressonância do Amor supremo de Deus, princípio e fim de todas as coisas, de cada pessoa e dos povos. A dignidade transcendente da pessoa é um valor essencial da sabedoria judaico-cristã, mas, graças à razão, pode ser reconhecida por todos. Esta dignidade, entendida como capacidade de transcender a própria materialidade e buscar a verdade, há de ser reconhecida como um bem universal, indispensável na construção duma sociedade orientada para a realização e a plenitude do homem. O respeito de elementos essenciais da dignidade do homem, tais como o direito à vida e o direito à liberdade religiosa, é uma condição da legitimidade moral de toda a norma social e jurídica.

Liberdade religiosa e respeito recíproco

3.A liberdade religiosa está na origem da liberdade moral. Com efeito, a abertura à verdade e ao bem, a abertura a Deus, radicada na natureza humana, confere plena dignidade a cada um dos seres humanos e é garante do respeito pleno e recíproco entre as pessoas. Por conseguinte, a liberdade religiosa deve ser entendida não só como imunidade da coação mas também, e antes ainda, como capacidade de organizar as próprias opções segundo a verdade.

Existe uma ligação indivisível entre liberdade e respeito; de fato, «cada homem e cada grupo social estão moralmente obrigados, no exercício dos próprios direitos, a ter em conta os direitos alheios e os seus próprios deveres para com os outros e o bem comum».

Uma liberdade hostil ou indiferente a Deus acaba por se negar a si mesma e não garante o pleno respeito do outro. Uma vontade, que se crê radicalmente incapaz de procurar a verdade e o bem, não tem outras razões objetivas nem outros motivos para agir senão os impostos pelos seus interesses momentâneos e contingentes, não tem uma «identidade» a preservar e construir através de opções verdadeiramente livres e conscientes. Mas assim não pode reclamar o respeito por parte de outras «vontades», também estas desligadas do próprio ser mais profundo e capazes, por conseguinte, de fazer valer outras «razões» ou mesmo nenhuma «razão». A ilusão de encontrar no relativismo moral a chave para uma pacífica convivência é, na realidade, a origem da divisão e da negação da dignidade dos seres humanos. Por isso se compreende a necessidade de reconhecer uma dupla dimensão na unidade da pessoa humana: a religiosa e a social. A este respeito, é inconcebível que os crentes «tenham de suprimir uma parte de si mesmos - a sua fé - para serem cidadãos ativos; nunca deveria ser necessário renegar a Deus, para se poder gozar dos próprios direitos».

A família, escola de liberdade e de paz

4.Se a liberdade religiosa é caminho para a paz, a educação religiosa é estrada privilegiada para habilitar as novas gerações a reconhecerem no outro o seu próprio irmão e a sua própria irmã, com quem caminhar juntos e colaborar para que todos se sintam membros vivos de uma mesma família humana, da qual ninguém deve ser excluído.

A família fundada sobre o matrimônio, expressão de união íntima e de complementaridade entre um homem e uma mulher, insere-se neste contexto como a primeira escola de formação e de crescimento social, cultural, moral e espiritual dos filhos, que deveriam encontrar sempre no pai e na mãe as primeiras testemunhas de uma vida orientada para a busca da verdade e para o amor de Deus. Os próprios pais deveriam ser sempre livres para transmitir, sem constrições e responsavelmente, o próprio patrimônio de fé, de valores e de cultura aos filhos. A família, primeira célula da sociedade humana, permanece o âmbito primário de formação para relações harmoniosas a todos os níveis de convivência humana, nacional e internacional. Esta é a estrada que se há de sapientemente percorrer para a construção de um tecido social robusto e solidário, para preparar os jovens à assunção das próprias responsabilidades na vida, numa sociedade livre, num espírito de compreensão e de paz.

Um patrimônio comum

5.Poder-se-ia dizer que, entre os direitos e as liberdades fundamentais radicados na dignidade da pessoa, a liberdade religiosa goza de um estatuto especial. Quando se reconhece a liberdade religiosa, a dignidade da pessoa humana é respeitada na sua raiz e reforça-se a índole e as instituições dos povos. Pelo contrário, quando a liberdade religiosa é negada, quando se tenta impedir de professar a própria religião ou a própria fé e de viver de acordo com elas, ofende-se a dignidade humana e, simultaneamente, acabam ameaçadas a justiça e a paz, que se apoiam sobre a reta ordem social construída à luz da Suma Verdade e do Sumo Bem.

Neste sentido, a liberdade religiosa é também uma aquisição de civilização política e jurídica. Trata-se de um bem essencial: toda a pessoa deve poder exercer livremente o direito de professar e manifestar, individual ou comunitariamente, a própria religião ou a própria fé, tanto em público como privadamente, no ensino, nos costumes, nas publicações, no culto e na observância dos ritos. Não deveria encontrar obstáculos, se quisesse eventualmente aderir a outra religião ou não professar religião alguma. Neste âmbito, revela-se emblemático e é uma referência essencial para os Estados o ordenamento internacional, enquanto não consente alguma derrogação da liberdade religiosa, salvo a legítima exigência da justa ordem pública. Deste modo, o ordenamento internacional reconhece aos direitos de natureza religiosa o mesmo status do direito à vida e à liberdade pessoal, comprovando a sua pertença ao núcleo essencial dos direitos do homem, àqueles direitos universais e naturais que a lei humana não pode jamais negar.

A liberdade religiosa não é patrimônio exclusivo dos crentes, mas da família inteira dos povos da terra. É elemento imprescindível de um Estado de direito; não pode ser negada, sem ao mesmo tempo minar todos os direitos e as liberdades fundamentais, pois é a sua síntese e ápice. É «o papel de tornassol para verificar o respeito de todos os outros direitos humanos». Ao mesmo tempo que favorece o exercício das faculdades humanas mais específicas, cria as premissas necessárias para a realização de um desenvolvimento integral, que diz respeito unitariamente à totalidade da pessoa em cada uma das suas dimensões.

A dimensão pública da religião

6.Embora movendo-se a partir da esfera pessoal, a liberdade religiosa - como qualquer outra liberdade - realiza-se na relação com os outros. Uma liberdade sem relação não é liberdade perfeita. Também a liberdade religiosa não se esgota na dimensão individual, mas realiza-se na própria comunidade e na sociedade, coerentemente com o ser relacional da pessoa e com a natureza pública da religião.

O relacionamento é uma componente decisiva da liberdade religiosa, que impele as comunidades dos crentes a praticarem a solidariedade em prol do bem comum. Cada pessoa permanece única e irrepetível e, ao mesmo tempo, completa-se e realiza-se plenamente nesta dimensão comunitária.

Inegável é a contribuição que as religiões prestam à sociedade. São numerosas as instituições caritativas e culturais que atestam o papel construtivo dos crentes na vida social. Ainda mais importante é a contribuição ética da religião no âmbito político. Tal contribuição não deveria ser marginalizada ou proibida, mas vista como válida ajuda para a promoção do bem comum. Nesta perspectiva, é preciso mencionar a dimensão religiosa da cultura, tecida através dos séculos graças às contribuições sociais e sobretudo éticas da religião. Tal dimensão não constitui de modo algum uma discriminação daqueles que não partilham a sua crença, mas antes reforça a coesão social, a integração e a solidariedade.

Liberdade religiosa, força de liberdade e de civilização: os perigos da sua instrumentalização

7.A instrumentalização da liberdade religiosa para mascarar interesses ocultos, como por exemplo a subversão da ordem constituída, a apropriação de recursos ou a manutenção do poder por parte de um grupo, pode provocar danos enormes às sociedades. O fanatismo, o fundamentalismo, as práticas contrárias à dignidade humana não se podem jamais justificar, e menos ainda o podem ser se realizadas em nome da religião. A profissão de uma religião não pode ser instrumentalizada, nem imposta pela força. Por isso, é necessário que os Estados e as várias comunidades humanas nunca se esqueçam que a liberdade religiosa é condição para a busca da verdade e que a verdade não se impõe pela violência mas pela «força da própria verdade». Neste sentido, a religião é uma força positiva e propulsora na construção da sociedade civil e política.

Como se pode negar a contribuição das grandes religiões do mundo para o desenvolvimento da civilização? A busca sincera de Deus levou a um respeito maior da dignidade do homem. As comunidades cristãs, com o seu patrimônio de valores e princípios, contribuíram imenso para a tomada de consciência das pessoas e dos povos a respeito da sua própria identidade e dignidade, bem como para a conquista de instituições democráticas e para a afirmação dos direitos do homem e seus correlativos deveres.

Também hoje, numa sociedade cada vez mais globalizada, os cristãos são chamados - não só através de um responsável empenhamento civil, econômico e político, mas também com o testemunho da própria caridade e fé - a oferecer a sua preciosa contribuição para o árduo e exaltante compromisso em prol da justiça, do desenvolvimento humano integral e do reto ordenamento das realidades humanas. A exclusão da religião da vida pública subtrai a esta um espaço vital que abre para a transcendência. Sem esta experiência primária, revela-se uma tarefa árdua orientar as sociedades para princípios éticos universais e torna-se difícil estabelecer ordenamentos nacionais e internacionais nos quais os direitos e as liberdades fundamentais possam ser plenamente reconhecidos e realizados, como se propõem os objetivos - infelizmente ainda menosprezados ou contestados - da Declaração Universal dos direitos do homem de 1948.

Uma questão de justiça e de civilização: o fundamentalismo e a hostilidade contra os crentes prejudicam a laicidade positiva dos Estados

8.A mesma determinação, com que são condenadas todas as formas de fanatismo e de fundamentalismo religioso, deve animar também a oposição a todas as formas de hostilidade contra a religião, que limitam o papel público dos crentes na vida civil e política.

Não se pode esquecer que o fundamentalismo religioso e o laicismo são formas reverberadas e extremas de rejeição do legítimo pluralismo e do princípio de laicidade. De fato, ambas absolutizam uma visão redutiva e parcial da pessoa humana, favorecendo formas, no primeiro caso, de integralismo religioso e, no segundo, de racionalismo. A sociedade, que quer impor ou, ao contrário, negar a religião por meio da violência, é injusta para com a pessoa e para com Deus, mas também para consigo mesma. Deus chama a Si a humanidade através de um desígnio de amor, o qual, ao mesmo tempo que implica a pessoa inteira na sua dimensão natural e espiritual, exige que lhe corresponda em termos de liberdade e de responsabilidade, com todo o coração e com todo o próprio ser, individual e comunitário. Sendo assim, também a sociedade, enquanto expressão da pessoa e do conjunto das suas dimensões constitutivas, deve viver e organizar-se de modo a favorecer a sua abertura à transcendência. Por isso mesmo, as leis e as instituições duma sociedade não podem ser configuradas ignorando a dimensão religiosa dos cidadãos ou de modo que prescindam completamente da mesma; mas devem ser comensuradas - através da obra democrática de cidadãos conscientes da sua alta vocação - ao ser da pessoa, para o poderem favorecer na sua dimensão religiosa. Não sendo esta uma criação do Estado, não pode ser manipulada, antes deve contar com o seu reconhecimento e respeito.

O ordenamento jurídico a todos os níveis, nacional e internacional, quando consente ou tolera o fanatismo religioso ou anti-religioso, falta à sua própria missão, que consiste em tutelar e promover a justiça e o direito de cada um. Tais realidades não podem ser deixadas à mercê do arbítrio do legislador ou da maioria, porque, como já ensinava Cícero, a justiça consiste em algo mais do que um mero ato produtivo da lei e da sua aplicação. A justiça implica reconhecer a cada um a sua dignidade, a qual, sem liberdade religiosa garantida e vivida na sua essência, fica mutilada e ofendida, exposta ao risco de cair sob o predomínio dos ídolos, de bens relativos transformados em absolutos. Tudo isto expõe a sociedade ao risco de totalitarismos políticos e ideológicos, que enfatizam o poder público, ao mesmo tempo que são mortificadas e coarctadas, como se lhe fizessem concorrência, as liberdades de consciência, de pensamento e de religião.

Diálogo entre instituições civis e religiosas

9.O patrimônio de princípios e valores expressos por uma religiosidade autêntica é uma riqueza para os povos e respectivas índoles: fala diretamente à consciência e à razão dos homens e mulheres, lembra o imperativo da conversão moral, motiva para aperfeiçoar a prática das virtudes e aproximar-se amistosamente um do outro sob o signo da fraternidade, como membros da grande família humana.

No respeito da laicidade positiva das instituições estatais, a dimensão pública da religião deve ser sempre reconhecida. Para isso, um diálogo sadio entre as instituições civis e as religiosas é fundamental para o desenvolvimento integral da pessoa humana e da harmonia da sociedade.

Viver no amor e na verdade

10.No mundo globalizado, caracterizado por sociedades sempre mais multiétnicas e pluriconfessionais, as grandes religiões podem constituir um fator importante de unidade e paz para a família humana. Com base nas suas próprias convicções religiosas e na busca racional do bem comum, os seus membros são chamados a viver responsavelmente o próprio compromisso num contexto de liberdade religiosa. Nas variadas culturas religiosas, enquanto há que rejeitar tudo aquilo que é contra a dignidade do homem e da mulher, é preciso, ao contrário, valer-se daquilo que resulta positivo para a convivência civil.

O espaço público, que a comunidade internacional torna disponível para as religiões e para a sua proposta de «vida boa», favorece o aparecimento de uma medida compartilhável de verdade e de bem e ainda de um consenso moral, que são fundamentais para uma convivência justa e pacífica. Os líderes das grandes religiões, pela sua função, influência e autoridade nas respectivas comunidades, são os primeiros a ser chamados ao respeito recíproco e ao diálogo.

Os cristãos, por sua vez, são solicitados pela sua própria fé em Deus, Pai do Senhor Jesus Cristo, a viver como irmãos que se encontram na Igreja e colaboram para a edificação de um mundo, onde as pessoas e os povos «não mais praticarão o mal nem a destruição (…), porque o conhecimento do Senhor encherá a terra, como as águas enchem o leito do mar» (Is 11, 9).

Diálogo como busca em comum

11.Para a Igreja, o diálogo entre os membros de diversas religiões constitui um instrumento importante para colaborar com todas as comunidades religiosas para o bem comum. A própria Igreja nada rejeita do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo. «Olha com sincero respeito esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas que, embora se afastem em muitos pontos daqueles que ela própria segue e propõe, todavia refletem não raramente um raio da verdade que ilumina todos os homens».

A estrada indicada não é a do relativismo nem do sincretismo religioso. De fato, a Igreja «anuncia, e tem mesmo a obrigação de anunciar incessantemente Cristo, “caminho, verdade e vida” (Jo 14, 6), em quem os homens encontram a plenitude da vida religiosa e no qual Deus reconciliou consigo mesmo todas as coisas». Todavia isto não exclui o diálogo e a busca comum da verdade em diversos âmbitos vitais, porque, como diz uma expressão usada frequentemente por São Tomás de Aquino, «toda a verdade, independentemente de quem a diga, provém do Espírito Santo».

Em 2011, tem lugar o 25º aniversário da Jornada Mundial de Oração pela Paz, que o Venerável Papa João Paulo II convocou em Assis em 1986. Naquela ocasião, os líderes das grandes religiões do mundo deram testemunho da religião como sendo um fator de união e paz, e não de divisão e conflito. A recordação daquela experiência é motivo de esperança para um futuro onde todos os crentes se sintam e se tornem autenticamente obreiros de justiça e de paz.

Verdade moral na política e na diplomacia

12.A política e a diplomacia deveriam olhar para o patrimônio moral e espiritual oferecido pelas grandes religiões do mundo, para reconhecer e afirmar verdades, princípios e valores universais que não podem ser negados sem, com os mesmos, negar-se a dignidade da pessoa humana. Mas, em termos práticos, que significa promover a verdade moral no mundo da política e da diplomacia? Quer dizer agir de maneira responsável com base no conhecimento objetivo e integral dos fatos; quer dizer desmantelar ideologias políticas que acabam por suplantar a verdade e a dignidade humana e pretendem promover pseudo-valores com o pretexto da paz, do desenvolvimento e dos direitos humanos; quer dizer favorecer um empenho constante de fundar a lei positiva sobre os princípios da lei natural. Tudo isto é necessário e coerente com o respeito da dignidade e do valor da pessoa humana, sancionado pelos povos da terra na Carta da Organização das Nações Unidas de 1945, que apresenta valores e princípios morais universais de referência para as normas, as instituições, os sistemas de convivência a nível nacional e internacional.

Para além do ódio e do preconceito

13.Não obstante os ensinamentos da história e o compromisso dos Estados, das organizações internacionais a nível mundial e local, das organizações não governamentais e de todos os homens e mulheres de boa vontade que cada dia se empenham pela tutela dos direitos e das liberdades fundamentais, ainda hoje no mundo se registram perseguições, descriminações, atos de violência e de intolerância baseados na religião. De modo particular na Ásia e na África, as principais vítimas são os membros das minorias religiosas, a quem é impedido de professar livremente a própria religião ou mudar para outra, através da intimidação e da violação dos direitos, das liberdades fundamentais e dos bens essenciais, chegando até à privação da liberdade pessoal ou da própria vida.

Temos depois, como já disse, formas mais sofisticadas de hostilidade contra a religião, que nos países ocidentais se exprimem por vezes com a renegação da própria história e dos símbolos religiosos nos quais se refletem a identidade e a cultura da maioria dos cidadãos. Frequentemente tais formas fomentam o ódio e o preconceito e não são coerentes com uma visão serena e equilibrada do pluralismo e da laicidade das instituições, sem contar que as novas gerações correm o risco de não entrar em contacto com o precioso patrimônio espiritual dos seus países.

A defesa da religião passa pela defesa dos direitos e liberdades das comunidades religiosas. Assim, os líderes das grandes religiões do mundo e os responsáveis das nações renovem o compromisso pela promoção e a tutela da liberdade religiosa, em particular pela defesa das minorias religiosas; estas não constituem uma ameaça contra a identidade da maioria, antes, pelo contrário, são uma oportunidade para o diálogo e o mútuo enriquecimento cultural. A sua defesa representa a maneira ideal para consolidar o espírito de benevolência, abertura e reciprocidade com que se há de tutelar os direitos e as liberdades fundamentais em todas as áreas e regiões do mundo.

Liberdade religiosa no mundo

14.Dirijo-me, por fim, às comunidades cristãs que sofrem perseguições, discriminações, atos de violência e intolerância, particularmente na Ásia, na África, no Médio Oriente e de modo especial na Terra Santa, lugar escolhido e abençoado por Deus. Ao mesmo tempo que lhes renovo a expressão do meu afeto paterno e asseguro a minha oração, peço a todos os responsáveis que intervenham prontamente para pôr fim a toda a violência contra os cristãos que habitam naquelas regiões. Que os discípulos de Cristo não desanimem com as presentes adversidades, porque o testemunho do Evangelho é e será sempre sinal de contradição.

Meditemos no nosso coração as palavras do Senhor Jesus: «Felizes os que choram, porque hão-se ser consolados. (…) Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. (…) Felizes sereis quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentido, vos acusarem de toda a espécie de mal. Alegrai-vos e exultai, pois é grande nos Céus a vossa recompensa» (Mt 5, 4-12). Por isso, renovemos «o compromisso por nós assumido no sentido da indulgência e do perdão - que invocamos de Deus para nós, no “Pai Nosso” - por havermos posto, nós próprios, a condição e a medida da desejada misericórdia: “perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”(Mt 6, 12)». A violência não se vence com a violência. O nosso grito de dor seja sempre acompanhado pela fé, pela esperança e pelo testemunho do amor de Deus. Faço votos também de que cessem no Ocidente, especialmente na Europa, a hostilidade e os preconceitos contra os cristãos pelo fato de estes pretenderem orientar a própria vida de modo coerente com os valores e os princípios expressos no Evangelho. Mais ainda, que a Europa saiba reconciliar-se com as próprias raízes cristãs, que são fundamentais para compreender o papel que teve, tem e pretende ter na história; saberá assim experimentar justiça, concórdia e paz, cultivando um diálogo sincero com todos os povos.

Liberdade religiosa, caminho para a paz

15.O mundo tem necessidade de Deus; tem necessidade de valores éticos e espirituais, universais e compartilhados, e a religião pode oferecer uma contribuição preciosa na sua busca, para a construção de uma ordem social justa e pacífica a nível nacional e internacional.

A paz é um dom de Deus e, ao mesmo tempo, um projeto a realizar, nunca totalmente cumprido. Uma sociedade reconciliada com Deus está mais perto da paz, que não é simples ausência de guerra, nem mero fruto do predomínio militar ou econômico, e menos ainda de astúcias enganadoras ou de hábeis manipulações. Pelo contrário, a paz é o resultado de um processo de purificação e elevação cultural, moral e espiritual de cada pessoa e povo, no qual a dignidade humana é plenamente respeitada. Convido todos aqueles que desejam tornar-se obreiros de paz e sobretudo os jovens a prestarem ouvidos à própria voz interior, para encontrar em Deus a referência estável para a conquista de uma liberdade autêntica, a força inesgotável para orientar o mundo com um espírito novo, capaz de não repetir os erros do passado. Como ensina o Servo de Deus Papa Paulo VI, a cuja sabedoria e clarividência se deve a instituição do Dia Mundial da Paz, «é preciso, antes de mais nada, proporcionar à Paz outras armas, que não aquelas que se destinam a matar e a exterminar a humanidade. São necessárias sobretudo as armas morais, que dão força e prestígio ao direito internacional; aquela arma, em primeiro lugar, da observância dos pactos».A liberdade religiosa é uma autêntica arma da paz, com uma missão histórica e profética. De fato, ela valoriza e faz frutificar as qualidades e potencialidades mais profundas da pessoa humana, capazes de mudar e tornar melhor o mundo; consente alimentar a esperança num futuro de justiça e de paz, mesmo diante das graves injustiças e das misérias materiais e morais. Que todos os homens e as sociedades aos diversos níveis e nos vários ângulos da terra possam brevemente experimentar a liberdade religiosa, caminho para a paz!



Vaticano, 8 de Dezembro de 2010.

BENEDICTUS PP XVI

Fonte: Assessoria de Imprensa
CNBB


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Formação Litúrgica: Música Litúrgica III

A música litúrgica na Igreja da época romano-franca e romano-germânica

No que diz respeito ao canto litúrgico, o período que vai de Gregório Magno (+604) até Gregório VII (+1085) é período de complicadíssimas elaborações musicais. Gregório Magno dá toda a importância às “scholae cantorun”: estas se situam entre o presbitério e o povo (=ponte entre os fiéis e o sacerdote).

Tal situação da Igreja romana suscita admiração e imitação em toda a Igreja do século V ao VIII. A Igreja de Roma conheceu seu período de maior riqueza, de amadurecimento das formas expressivas, sua “época clássica”. Como conseqüência, se dá o processo de romanização das antigas liturgias locais.

É importante frisar que, nesse período:

O canto litúrgico se toma especialidade de clérigos e monges;

• O Canto Gregoriano expande-se silenciando outras “vozes” (com exceção do canto ambrosiano);

• Com isso, não se quer desmerecer o valor intrínseco e inestimável do canto gregoriano. De fato, trata-se de acervo artístico e espiritual de imenso valor, que não pode ser desperdiçado, mas que, por suas características peculiares, não poderia ser proposto incondicionalmente ao conjunto das comunidades cristãs hoje em dia.

A música litúrgica na época que vai de Gregório VII (+1085) ao Concílio de Trento (1545)

Surge o previsível: a liturgia vai entrando em crise cada vez mais grave e prolongada vasta documentação assinala a celebração em decadência, realizada mais por dever do que por vocação eclesial; mais pelo repertório a ser executado do que por inspiração; mais pela burocracia do culto do que pela ação coral do povo; mais pela dramaturgia do que pelo mistério participado...

Depois do gregoriano, surge a polifonia. Esta privilegia a arte refinada na mistura dos timbres e harmonias, no jogo rítmico, na colaboração de profissionais da composição para diversas vozes, tornando as músicas mais estéticas do que litúrgicas. Embora tenham surgido obras primas da época alguns cronistas tradicionais classificavam algumas execuções como intoleráveis.

A música litúrgica do Concílio de Trento ao século XIX

Após o Concílio de Trento, surge o período artístico do Barroco: o sentimento de segurança nas declarações da Igreja romana dá a sensação de se pisar em solo firme, depois da crise protestante.

Não podemos negar o “casamento” da música barroca com a liturgia, nem suas coerências com a concepção de uma ordem monárquica hierárquica exemplar: Deus, os chefes, os reis, o clero, o povo.., assim, nas igrejas, chefe do coro e organista poderão e deverão pontificar, mais do que o presidente da celebração. O órgão será o rei dos instrumentos (expressão sonora dos atributos de Deus (onipotência, onisciência e onipresença) e até concorrente do altar. A linguagem melódica terá tal eloquência, que tornará acessível ao povo a própria língua latina, o jogo alternativo, o contraste do timbre, o tecido feito de contrapontos, estarão em condições de expressar, mais do que um pregador, o sentido da festa!

Mas no século XVIII, sentia-se na Igreja um desejo de maior participação comunitária, de mais simplicidade.

A música litúrgica em pleno Movimento Litúrgico

O século XIX foi bastante marcado pela oposição contra a música profana e o estilo teatral, oriundos do barroco. Surge então, em Solesmes, a reforma da música sacra como um dos objetivos prioritários deste século. Era o Movimento Litúrgico. Um retomo às fontes e retomada do fervor litúrgico, que veio desaguar, um século mais adiante, no Concílio Vaticano II.

Caminhando de mãos dadas juntamente com o Movimento Bíblico e o Movimento Ecumênico, sob o impulso das inovadoras e preciosas diretrizes do Papa Pio XII em suas encíclicas “Mediator Dei” (1947) e “Musicae Sacrae” (1955), e das reformas que “implementou em vista de favorecer a participação ativa e consciente” do povo na liturgia: uma antecipação do Vaticano II.


Formação Litúrgica: Música Litúrgica II

A música na caminhada do povo de Deus

Na Bíblia, existem mais de seiscentas referências ao canto e à música. Do primeiro livro, o Gênesis, que se inicia justamente com um canto à Criação (Gn 1), ao último, o Livro do Apocalipse, que aparece como o desenrolar de uma esplêndida e majestosa liturgia, a música, o canto, a festa, parecem ser não apenas fonte inesgotável de energia para os que estão a caminho, mas a tônica dominante da própria realidade definitiva, que chamamos Reino de Deus.

A importância da música na História de Israel

O povo de Israel nasceu numa encruzilhada de culturas e civilizações. Como a Bíblia que esse povo vai escrevendo, também sua música, seu canto, carregam as marcas desse entrelaçamento cultural. Para se ter uma idéia, aproximadamente no ano 1000 antes de Cristo, sob o reinado de Davi, é que se formou uma tradição musical com identidade definida. Sua expressão é a coletânea dos Salmos. Entre todos os cânticos do Primeiro Testamento, sobressai o Cântico de Moisés e Minam (Ex 15), celebrando a esplendorosa intervenção do Deus Libertador, quando da passagem dos hebreus pelo Mar Vermelho; este cântico teve importância relevante na tradição litúrgica Judeu-cristã.

A essa expressão épica da fé pascal vem se ajuntar, qual maravilhoso contraponto, o Cântico dos Cânticos, poema de amor, expressão lírica da fé de Israel, que brota de uma rica experiência do amor conjugal, carregada de sensualidade e ternura, uma faísca do Senhor. (Ct 8,6), capaz de nos transportar à intimidade mesma do amor divino.

Os relatos das Liturgias do templo deixam transparecer a alegria contagiante e o júbilo, nascido da exuberância da fé, na qual as aclamações, a música, o canto, a dança, são elementos constitutivos e eminentes da celebração da fé de um povo (1Cr 15,16; Ne 12,27- 43).

Mas são os Salmos, sobretudo, o registro mais significativo da experiência de um povo a traduzir sua vida e sua fé em música, canto e dança. Eles são o convite mais sugestivo a celebrar a vida e a fé de nossos pais, eles são o coração palpitante de toda a Bíblia. Os salmos foram o livro de canto do Povo de Israel, de Maria, de Jesus de Nazaré, dos Apóstolos, da Igreja nascente e continuam sendo, séculos afora, até hoje, o repertório elementar da celebração cristã. Todo aquele que lida com música litúrgica cristã encontra necessariamente, no Livro dos Salmos, o seu primeiro referencial.

A música na comunidade cristã primitiva

Enraizados numa tradição mais que milenar, os protagonistas do Novo testamento, Maria, José, Jesus e os Discípulos, a comunidade Cristã primitiva, são pessoas que continuam a celebrar sua fé cantando e exultando de alegria. É assim que os salmos tão frequentemente se encontram nos lábios de Jesus e são o livro do Primeiro Testamento mais citado nos livros do Novo.

Se começarmos a percorrer os Evangelhos, especialmente o de Lucas, que forneceu as referências elementares para a constituição do Ano Litúrgico, e avançarmos pelas Cartas de Paulo até chegarmos ao Apocalipse de João, logo nos surpreenderemos com a abundância e a beleza de textos poéticos. Estes, com certeza provieram da rica experiência litúrgico-musical das primeiras comunidades e marcaram significativa presença na tradição litúrgica da Igreja até hoje, tanto na Liturgia das Horas quanto na celebração da Ceia do Senhor e dos demais Sacramentos: As bem-aventuranças; três Cânticos de Lucas, marcam o ponto culminante do louvor no Oficio da Manhã (Cântico De Zacarias Lc 1,68-79), da Tarde (Cântico de Maria Lc 1,46-55) e da Noite (Cântico de Simeão Lc 2,29-32); Não podemos esquecer o cântico angélico do Glória (Lc 2,14), que originou a grande doxologia da missa; O Prólogo de João (Jo 1, 1-8), que celebra a nova Criação em Jesus Cristo; Numerosos hinos paulinos, como os dois cristológicos (FI 2,6-11; lTm 6,15-16); o hino batismal de Pedro (1Pd 2,2 1-25); os hinos e aclamações, que ocorrem a cada passo na liturgia celeste descrita no Apocalipse e são sem dúvida, como que um “retrato cantado” das celebrações das comunidades joaninas.

A constância do canto de louvor na comunidade primitiva fica bem refletida na insistente recomendação de Paulo na generosa resposta das primeiras comunidades, que tão bem a concretizaram: “Juntos recitem salmos, hinos e cânticos inspirados, cantando e louvando ao Senhor de todo o coração. Agradeçam sempre a Deus Pai por todas as coisas, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef 5, 19-20; cf Cl 3,16). Esta é uma regra neotestamentária para o canto e a música.

É curioso perceber que, na Igreja primitiva, há uma preponderância da música vocal, da palavra e do ensino da música instrumental. Não há o suporte de instrumentos aos salmos, uma ruptura completa com o paganismo, cujo uso dos instrumentos adornava os cultos idolátricos. Por essa razão, o fato de se falar em instrumentos estava muito mais ligado ao templo escatológico e à dimensão unicamente espiritual dos fiéis.

A música litúrgica na Igreja dos primeiros séculos

No ano 112 da era cristã, um autor latino, Plinio, o Jovem, em sua famosa Carta ao Imperador Trajano, assim se expressava a respeito dos cristãos: “Eles se reúnem antes do amanhecer e cantam a Cristo, a quem consideram como deus.” Em meados do século II, Justino, Mártir (+165), em sua apologia dirigida ao Imperador Antonino Pio, sublinha a excelência do louvor e do canto dos cristãos, comparados aos sacrificios pagãos.

Mais adiante, lá pelo final do século III, início do IV, Eusébio de Cesaréia (+339), comentando os salmos, dá conta de que, “através do mundo inteiro, em todas as Igrejas de Deus, tanto nas cidades como no interior e no campo, os povos de Cristo, reunidos de todas as gentes, cantam hinos e salmos (..) ao único Deus anunciado pelos profetas, em alta voz, de tal maneira que o som do canto pode ser escutado até por aqueles que estão fora do templo”.

E como é edificante escutar João Crisóstomo (+407), em homilia na igreja de Santo Irineu, em Constantinopla, exaltar a nobreza dos cristãos a transparecer do próprio canto unânime da assembléia: “O salmo que acabamos de cantar fundiu as vozes e fez subir um só canto, plenamente harmonioso: jovens e velhos, ricos e pobres, mulheres e homens, escravos e livres, todos não usaram senão de única voz. (..) Juntos, não formamos senão um coro, numa total igualdade de direito e de expressão, pelo que a terra imita o céu. Tal é a nobreza da Igreja”.

Mas é sobretudo em Milão, com o Santo Bispo Ambrósio (+397), e a seguir em Hipona, norte da África, com seu discípulo Agostinho (+ 430), que nós vamos conhecer, quem sabe, um primeiro ensaio de Pastoral da música litúrgica. Segundo Santo Agostinho, poucas coisas são tão próprias para estimular a piedade nas almas e inflamá-las com o fogo do amor divino como o canto. Dos seis primeiros séculos da nossa Igreja, época marcada pela atuação dos chamados Pais e Mães da Igreja, ou a época patrística, podemos afirmar, de modo geral, que o canto litúrgico é exaltado com inumeráveis referências bíblicas. E canto que reconhece e acolhe os valores humanos e psicológicos do cantar do povo: extravasamento saudável de emoções, comunhão de sentimentos e ideais, a alegria da festa. Os Pais e Mães da Igreja põem em evidência os valores celebrativos do reunir-se em coro para cantar: serviço da Palavra, unanimidade que manifesta a unidade em Cristo, sacrificio espiritual, profecia do reino, comunhão com os coros dos anjos e antecipação escatológica. Algo que nos parece muito atual é o fato de os Pais e Mães da Igreja falarem da música com uma visão ampla e articulada, acolhendo as diversas experiências existentes, numa prática celebrativa não distante da vida do povo e ainda não encurralada por regras ou normas intocáveis, como mais adiante acontecerá. As formas musicais desenvolvidas nesse período foram a salmodia e os hinos.

Para São Basílio (+379), no salmo, a melodia é uma espécie de mel que Deus juntou ao medicamento (as suas palavras), para torná-lo mais fácil de tomar.

O canto gera comunhão e harmoniza as diferenças: “restabelece a amizade, reúne os que estavam desavindos, converte em amigos os que mutuamente se hostilizavam. Quem será ainda capaz de considerar como inimigo aquele a quem elevou uma só voz para Deus?” (Basílio de Cesaréia)

No Pseudo-Dionísio encontramos também um ensinamento que diz que o canto põe os seres em sintonia, formando uma só assembléia de santos, onde o uníssono das vozes reflete nos corações. Gregório de Nazianzo diz que o canto dos salmos converte as horas em momentos de verdadeiro prazer espiritual. E Atanásio diz que este é um instrumento de conversão e elevação espiritual.

Nos séculos IV e V, época áurea da Igreja, surgem as “Scholae cantorum”. Até aqui, em cada ambiente eclesial consolida-se um mundo celebrativo próprio, em sintonia com a cultura local sempre aberto ao intercâmbio com experiências mais diversas. É o triunfo do pluralismo litúrgico-musical ainda aceito e respeitado pela Igreja de Roma. Um outro fator determinante de dinamismo foram a expansão missionária e o florescimento monástico.

No entanto, com o passar do tempo, nota-se que algo essencial vai sendo deixado de lado: a participação e envolvimento da assembléia. Vai se aprimorando a especialização teológico-bíblica dos compiladores de textos, a gestualidade dos ministros, a afinação dos membros das “scholae”. Cultura e música elitistas passam a ocupar e dominar o espaço do litúrgico, em detrimento da participação do povo.


Formação Litúrgica: Música Litúrgica I

Introduzindo: O drama da música nas celebrações

Partimos do pressuposto de que um fiel vai às celebrações em sua comunidade. Lá, além dele, participar, ainda que calado, da própria celebração, ele “assiste” àquilo que outros, de acordo com suas funções na comunidade, prepararam bem ou mal. Sendo assim, está formada a situação-problema muito comum em nossas comunidades, desde a menor até a maior e mais rica, desde a menos até a mais evoluída.
O que acontece, em geral, é que muitos vão à igreja para ver algo bonito, atraente, que pode até “tocar no íntimo” da pessoa e nada mais. Muitas vezes, há exageros de todo tipo e não há um culpado. Os responsáveis pela comunidade e pelo canto têm pouca formação litúrgica e musical. O povo, querendo satisfazer seu hedonismo, se esquece de todo o contexto em que a própria liturgia está inserida. Infelizmente, a celebração litúrgica tornou-se o lugar do espetáculo, muitas vezes barulhento e pobre teologicamente.
Qual seria então a causa de tal problema? Primeiro, a dificuldade na escolha de cantos adequados, pois, além do repertório, embora vasto, ser pouco conhecido, há pouca formação musical. Em segundo lugar, a preparação dos cantos às vezes fica prejudicada pela pressa e descompromisso. Há também o problema da escolha de cantos inadequados, cujo conteúdo, letra e ritmo não condizem com as celebrações. Por fim – e mais grave – há o problema do narcisismo. Na celebração há lugar para todos. Não é o espaço para que um apareça mais que outro, mas sim de todos assumirem seu papel ministerial.
Como pano de fundo, percebemos que o maior dos problemas está na falta de preparo. A formação e a dedicação são fundamentais na vida do músico e do cantor litúrgico. A assembléia que participar da ação litúrgica rica e bem preparada assimilará o seu conteúdo e compreenderá o mistério celebrado e sua beleza.
Nos últimos anos, temos assistido à cópia de um modelo gospel de música litúrgica. Trata-se de um estilo de música de origem protestante belo e com características peculiares que prezam pela espontaneidade do cantor e da assembléia. Dependendo do texto, alguma dessas músicas pode até caber em algum momento celebrativo. Porém, não é um canto da Igreja. Pode ser cantado entre nós católicos em eventos e shows de evangelização, mas quase nunca pode ser na liturgia.
Depois do Concílio Vaticano II houve uma flexibilização quanto ao canto e aos instrumentos na Igreja. Podemos hoje assimilar o que há de melhor na cultura musical do nosso povo. Podemos utilizar os recursos instrumentais sem medo de profanar a sagrada liturgia.
Para que desempenhemos bem o ministério da música na Igreja, um resgate histórico contribui muito com nosso trabalho. E a formação litúrgica e musical é imprescindível. (SC 115) desta forma, o povo de Deus pode externar de modo sublime o que é ser Igreja, celebrando e cantando, pois a música e a ação litúrgica estão de tal modo interligadas ao ponto de não haver serva da liturgia e sim elementos fundamentais de todo o mistério celebrado.


domingo, 5 de dezembro de 2010

Novena de Natal terá início no dia 11 de dezembro


No próximo dia 11, nossa paróquia dará início à novena de Natal. Trata-se de um importante momento na vida de nossas comunidades que refletirão em pequenos grupos sobre o tema proposto por nossa Arquidiocese para o período do Natal. Neste ano, os grupos vão refletir sobre o Pai Nosso. Costumamos chamar as pessoas não somente para refletir em grupos, mas, sobretudo para rezar. Não há tema melhor para a novena do que a oração ensinada por Jesus. E nossa Arquidiocese vem trazendo temas que dêem a devida formação às pessoas de nossas comunidades. Trata-se de uma nova catequese, onde todos se preparam devidamente para assumir seus compromissos mediante a sua comunidade. Este ano, mais uma vez, vamos encerrar todos juntos na igreja Matriz. No ano passado, a proposta do padre Luiz Martins foi acolhida por todos e a celebração eucarística de encerramento foi maravilhosa! Além disso, a partilha feita ao final aumentou alinda mais o clima de confraternização. Que neste ano participemos com entusiasmo deste momento importante a fim de dar um novo ânimo à nossa fé e fazermos presente em nós o Reino de Deus.


Advento: preparemos nossos corações!


Fim de ano. Tempo diferente, propício para revisões de vidas. Tempo de transformação, de jogar fora o que de ruim ficou em nossa vida durante o ano que já é velho. É hora de ver nascer de novo em nós o Menino Jesus, pobre, humilde, frágil, deitado na nossa manjedoura, o lugar aonde os animais vêm se alimentar. Este é o Natal de Jesus que está chegando, quanto mais simples, melhor, o que não deixa de ser solene. Nas nossas igrejas acendemos velas que nos lembram passos a serem seguidos para chegarmos a Jesus e lembramos que ele virá mais uma vez.

Infelizmente, não é esta a realidade do mundo. Nas ruas, shoppings, lojas e até em muitas de nossas casas esquecemos de dar lugar ao personagem principal. Enchemos nossos ambientes de símbolos pagãos e nos esquecemos que esta festa é cristã. Gastamos nosso dinheiro, muitas vezes suado, em presentes de valor e sem valor. É o consumismo do tempo do Natal. Se Jesus nascesse hoje encontraria outras faces do poder que ele mesmo combateu em seu tempo e em sua terra.

Nós cristãos somos chamados a uma renovação espiritual. O Advento nos prepara para a festa litúrgica da encarnação do Verbo de Deus. Prepara-nos também para a volta de Cristo, a fim de que nosso espírito esteja sempre pronto. A nós é exigido maior compromisso. Nós devemos fugir do que é mal e nos aproximarmos de Jesus. Conosco deve ir mais alguém a fim de que a voz do profeta seja a nossa voz.

Deixemo-nos, então, envolver com o espírito do Natal. Que neste Advento, nossas casas se iluminem aos poucos e nosso presépio seja montado com cuidado, pois é o Rei que está chegando.


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Padre e Pai

No mês de agosto celebramos as vocações. Todo cristão foi chamado por Deus desde o ventre de sua mãe a vivenciar a sua vocação. No batismo fomos adotados por Ele que antes já havia nos tomado como seus filhos amados. Aprendemos com Jesus que Deus é nosso Pai que está no céu. Aos nossos pais que estão na terra, devemos obediência, carinho e amor. Se assim o somos, como não seremos fiéis ao nosso Pai celeste? A nossa vocação é para a santidade no serviço, ou seja, devemos ser cristãos autênticos em todo lugar. A família é o primeiro lugar onde vivenciamos a nossa resposta ao chamado de Deus. É lá que exercitamos de modo sublime o mandamento do amor.
Quando falamos em vocações lembramos de nossos Sacerdotes e religiosos. Os presbíteros da Igreja tomaram de nós um nome carinhoso: Padre. Padre é pai. Se aos nossos pais devemos carinho e obediência, aos nossos padres devemos atenção, pois eles em primeiro lugar nos transmitem a Palavra de Deus e as verdades da nossa fé. São os padres que fazem chegar os sacramentos a todos os cantos de mundo onde está a Igreja. Muitos são pecadores como nós, mas como muitos de nós, estão em busca de santidade. São nossos modelos, como são os nossos pais.
Neste mês de agosto, mês das vocações, agradeçamos a Deus por nossos padres e pais e por todos aqueles que souberam responder o seu SIM doando sua vida pela família e pelo Reino de Deus.


Servir a Deus com alegria

É bem conhecida a passagem da viúva que doa suas moedinhas no templo, fato apontado por Jesus como exemplo, por ter oferecido a Deus tudo o que ela possuía, enquanto os escribas ostentavam os grandes tesouros que ofertavam, mas, na verdade, eram suas sobras (cf. Mc 12, 41 - 44; Lc 21, 1-4). Esse texto é típico de discursos que falam sobre o dízimo, a oferta, etc., mas tomo a liberdade de chamar a conversa para outro aspecto de doação a Deus: a doação do nosso tempo para algum serviço na Igreja.

Servir a Deus traz muitas alegrias, toma tempo, sim, mas o pouco que se dá a Ele é multiplicado demais! Porém, nem todo o mundo entende essa verdade. Quando a gente chama alguém para um serviço na Igreja, em boa parte das vezes a pessoa já vai logo falando que não tem tempo, que tem o marido, os filhos, a escola, ou que está desempregada. Enfim, coloca tantos empecilhos sem nem parar para analisar o convite.

As pessoas precisam desfazer o preconceito de que quem serve a Deus deixa de viver e se isola. Nada disso, quando nós servimos a Deus a nossa vida muda, mas para melhor. Servir ao Senhor é um ato de humildade, principalmente nos dias de hoje, em que todas as atitudes visam o lucro. O serviço a Deus é graça, e quem serve entende que tudo que se tem vem da gratuidade do Senhor, e nada mais justo que retribuir em ações que edificam a Sua Igreja. Não é moeda de troca, mas o serviço fiel ao Senhor nos mostra a fidelidade d'Ele para conosc,o pois enquanto cuidamos das coisas d'Ele, vamos percebendo o cuidado d'Ele para com a nossa família e nossa vida.

O serviço voluntário na Igreja, além de gerar muitos benefícios a você e aos demais, também abre muitas portas para você no ambiente profissional e social. Testemunho que há mais de dez anos sirvo a Deus e nunca fiquei desempregada, ao contrário, o serviço [à Igreja] amplia – e muito – o nosso networking!

Comece a reparar que, em geral, as pessoas que servem a Deus têm vários outros compromissos e dão conta do recado, enquanto que boa parte de quem está à toa ao seu redor nunca tem tempo para as coisas de Deus. Quem serve ao Altíssimo não é melhor que os outros, mas talvez faça escolhas mais direcionadas, tenha foco e, portanto, consiga aproveitar melhor as 24 horas do dia em atividades sadias e de resultado.

É claro que um bocado de discernimento é importante, pois também existem pessoas que pegam tudo que é serviço na Igreja de uma vez só; e, provavelmente, não vão dar conta de tudo.

Ressalto também que a opção pelo servir tem de vir do coração, não só porque alguém o chamou ou porque toda a família e o grupo de amigos fazem, senão você corre o risco de ficar “posando de gatão”, fazendo muitas coisas só para agradar os outros. Só Deus conhece seu coração e o quer feliz; se for para servir que seja de coração.

Outro problema é o povo que aceita servir ao Senhor e esquece a família, a vida social, os estudos, o trabalho. Se esse é o seu caso, sugiro procurar um orientador vocacional: quem sabe sua alma anseia por uma vivência da fé e do serviço em alguma congregação?

Admiro as pessoas com postura madura, que aceitam o que vão conseguir fazer e que se negam a assumir coisas para além do seu tempo. Somos humanos e é preciso maturidade para aceitar que ninguém é insubstituível e que outra pessoa poderá realizar aquilo que momentaneamente você precisou recusar. Não estou ignorando que a messe é grande e os operários, poucos (cf. Mt 9, 37). Mas se cada cristão assumir um pedacinho da messe ninguém ficará sobrecarregado.

Existe muito serviço na Igreja e espaço para todos que, de coração, desejam servir com humildade. Se você exerce ou já exerceu algum serviço na Igreja, sabe bem do que estou falando. E se está aí, olhando para o alto, sem nenhum serviço, converse com seu pároco, com o coordenador de seu grupo de oração, com os amigos e veja as possibilidades existentes em sua comunidade para que possa servir. Talvez, você esteja aí, como a viúva, só com uma "moedinha de tempo", é esse pouco tempo que pode salvar almas, a partir do seu "SIM".

Foto Mariella Silva de Oliveira

cancaonova.com


sexta-feira, 2 de julho de 2010

Festa do Sagrado Coração de Jesus

Nossa paróquia está reando nestes primeiros dias de julho o Tríduo em honra do Coração de Jesus. A cargo do Apostolado da Oração, esta festa é realizada todos os anos nesta mesma época, sobretudo porque o dia do Sagrado Coração muitas vezes cai justamente na trezena de Santo Antônio. É um momento oportuno para todos prestarem seu desagravo ao Coração de Jesus, procurando, pela oração, vivenciar a sua vida cristã, se afastando de tudo aquilo que os impede de chegar a Deus.
A homenagem das crianças, por meio da coroação, torna-se a homenagem do povo reunido em oração. Que o Sagrado Coração de Jesus seja verdadeiramente nossa vida e salvação.


sábado, 26 de junho de 2010

Estradas para nós

Pode não parecer interessante que nosso canal de comunicação se volte para um assunto desses. Entretanto, como é um sonho do povo granadense, é bom que todos fiquem sabendo. Não temos preocupações eleitoreiras, mas ficamos felizes com o fato ocorrido. Veja o que saiu no Portal Caparaó:

Sete estradas da região serão asfaltadas


166 quilômetros de estradas ligando municípios da região foram incluídos para asfaltamento no Programa Caminhos de Minas. As obras vão beneficiar as cidades de Araponga, Fervedouro, Caiana, Carangola, Caparaó, Espera Feliz, São João do Manhuaçu, Santa Margarida, Caputira, Raul Soares, Mutum, Barra Longa e Ponte Nova. O novo projeto foi lançado pelo governador Antonio Anastasia, em Belo Horizonte. Trata-se do maior conjunto de obras de infraestrutura viária já realizado no Estado, que levará o asfalto a 223 trechos de estradas que fazem ligação entre as cidades mineiras.

O programa beneficiará diretamente 297 municípios, com a pavimentação de 7,6 mil quilômetros de extensão, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida de milhares de mineiros que utilizam as estradas de terra. Durante a solenidade, o governador Antonio Anastasia, assinou a autorização de liberação de recursos necessários à licitação, execução e conclusão de projetos de engenharia.

“O Caminhos de Minas é a continuidade do Proacesso, que foi um programa âncora do desenvolvimento de Minas. Tenho a honra agora de dar um passo avante importantíssimo para a interligação das regiões mineiras. Acredito que é um programa que vai trazer não só qualidade de vida, conforto, mas, especialmente, desenvolvimento econômico e integração regional às diversas regiões de nosso Estado. Para você ter uma ideia, o Sudoeste de Minas não é ligado ao Triângulo, a não ser por São Paulo. Vai ser ligado direto. Mesma coisa o Norte com o Centro-Oeste. Nós faremos isso”, disse o governador Antonio Anastasia em seu pronunciamento.

... O projeto foi criado para solucionar inúmeros gargalos rodoviários e abrir novos rumos para o desenvolvimento dos municípios e do Estado. Para a primeira etapa, a Secretaria de Transportes de Obras Públicas (Setop) está autorizada a iniciar obras em 21 trechos, somando 509 quilômetros, com investimento de aproximadamente R$ 800 milhões. Outros 39 trechos estão em fase de projetos de engenharia. A Setop já contratou a elaboração de projetos de engenharia de 40 trechos e abriu o processo de licitação para contratar projetos para outras 122 estradas.

Na região, serão contemplados pelo Programa Caminhos de Minas as seguintes estradas: Araponga – Fervedouro (43 km de extensão); Caiana – Carangola (16 km); Caparaó – Entroncamento de Espera Feliz - Parque Caparaó (7 km); Entroncamento da BR-474 (Aimoréos) para o Entroncamento da MG-108 em Mutum (28 km); Ponte Nova - Barra Longa (27 km), Raul Soares – Caputira (36) e Santa Margarida – Entroncamento da BR-116 em São João do Manhuaçu (9 km).

Para ver a notícia na íntegra, acesse: http://www.portalcaparao.com.br/lernoticia/5746/sete-estradas-da-regiao-serao-asfaltadas

SENDO ASSIM, POVO GRANADENSE, MORADORES DE NOSSA PARÓQUIA, SEREMOS TODOS BENEFICIADOS COM A ESTRADA CAPUTIRA-RAUL SOARES, O QUE TRARÁ CONFORTO E DESENVOLVIMENTO PARA NOSSA REGIÃO. QUE DEUS ABENÇOE, FAZENDO COM QUE TUDO DÊ CERTO A FIM DE QUE NOSSO SONHO SEJA REALIZADO.



segunda-feira, 21 de junho de 2010

Festa de São Manoel marcou abertura da capela da comunidade

Neste dia 20 de junho, a comunidade do Córrego São Manoel esteve reunida com a presença de muitos outros irmãos de nossas comunidades, a fim de celebrar seu padroeiro. Na oportunidade, foi celebrada a primeira missa na nova capela da comunidade, um sonho de todos que foi realizado finalmente. A capela ficou muito bonita. Uma das melhores de nossa paróquia. O povo estava muito entusiasmado. Todos muito felizes agradecem ao emprenho do padre Luiz Martins, que não mede esforços a fim de incentivar as nossas comunidades que ainda não tem espaço próprio para se reunir e celebrar a construirem suas igrejas. Parabéns à comunidade São Manoel pela bela obra. Obrigado a todos os que contribuiram para que o sonho desta comunidade fosse realizado.


segunda-feira, 14 de junho de 2010

Festa de Santo Antônio foi a melhor de todos os tempos

Treze dias mais a festa! Sensação de missão cumprida. Graças a Deus, nossa comunidade celebrou seu padroeiro Santo Antônio com entusiasmo digno de aplausos. Desde o primeiro dia, estivemos presentes na igreja matriz para agradecer a Deus pelo exemplo de nosso patrono. Com certeza muitos dentre nós se lembraram das antigas semanas missionárias, acolhendo com carinho os padres visitantes. Muitos colherão frutos destes dias de oração. São as graças de Deus para nós que nos são concedidas por intermédio de Santo Antônio.
Neste ano, a barraquinha seguiu com toda animação e muita gente participando. Tivemos a presença de algumas das nossas comunidades, muito embora outras, que têm seus motivos, não puderam comparecer. No chamado "dia dos fogos" a comunidade presenciou um lindo show pirotécnico, que foi encomendando pelo casal alferes da bandeira e mordomo do mastro. Foi muito bonito mesmo! Não temos do que nos queixar, pois contamos com uma equipe competente que auxiliou muito bem ao padre Luiz Martins. A todos e a toda a comunidade só temos que agradecer. Que no próximo ano possamos fazer muito melhor ainda. E que Santo Antônio continue sendo o nosso grande exemplo de cristão.


domingo, 23 de maio de 2010

A Unidade Cristã

Celebramos a solenidade de Pentecostes, recordando o dia feliz em que o Espírito Santo confirmou a Igreja nascente. Lá estavam os apóstolos, Maria e outros seguidores de Jesus, testeminhas fiéis dele e de sua Igreja. Antes o próprio Jesus, ao anoitecer do dia da páscoa, como relata o evangelho de João, transmitiu o sopro do Espírito aos discípulos. Este sopro dá vida à Igreja e autoridade com a qual ela é investida. Este sopro dá coragem, pois as portas fechadas do medo não podem cercar o anúncio do Evangelho, que agora é transmitido a todos, de todas as línguas, raças e nações.
Nesta semana que antecedeu a Pentecostes, as Igrejas-membro do CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs) nos chamaram a refletir sobre a unidade cristã. Não queremos com isso dizer que há uma só Igreja/Assembléia, mas sim que há "um só rebanho e um só pastor", vivendo aquela paz transmitida por Cristo, na tolerância e fraternidade, partilhando o mesmo evangelho.
Infelizmente, esta não é a realidade da nossa sociedade. Vemos muitos grupos religiosos se dividindo conforme o interesse de seus fundadores (até no catolicismo para não dizer que este seja um fenômeno protestante), surgindo a multiplicação das seitas. Prova disso é que só cinco igrejas fazem parte do CONIC.
Por outro lado, lamentavelmente, vemos irmãos nossos se valendo da definição de que "Deus " para terem uma religião de satisfação individual, sem vínculo, à qual só se recorre quando se precisa. Esta é uma religião "delivery", de entrega a domicílio, ou "self service", à escolha da pessoa, onde há "satisfação garantida".
Realmente, Deus é um só, mas as religiões existem para nos conduzirem a ele e não para satisfazer nossos interesses. Deus está em todo lugar, mas todo lugar precisa se voltar para Deus. Ele exige de nós compromisso, prontidão, disposição.
Enfim, faz jus à sua fé o cristão que a professa com convicção, seja qual for a sua Tradição religiosa. Cabe a nós, no nosso ambiente, vivenciarmos a nossa fé e externá-la com as obras. Não basta apenas rezar e esperar o milagre. É preciso viver como Igreja, em comunidade, e cumprir os preceitos de Deus e da Igreja, participando como se pode. Deus não vai simplesmente fazer cair do céu as coisas de que necessitamos se não as buscarmos e não fizermos por merecê-las. Sejamos testemunhas fiéis.


segunda-feira, 3 de maio de 2010

Maio, lindo mês de Maria

Quando chega o mês de maio, nossas igrejas se enchem de luz. É o mês de Maria, nossa mãe, mãe de Deus, mãe de Jesus. Ela participou ativamente do projeto de salvação e na formação da Igreja. Ela mereceu dos primeiros cristãos o título de Mãe de Deus, aquela que trouxe o próprio Deus feito carne em seu seio.
Quem pode duvidar daquilo que o próprio Deus realizou em favor de Maria, humilde serva do Senhor? Ela foi fiel, firme e disposta ao serviço. Colocou-se à disposição de Deus, dando-nos um exemplo de humildade e verdadeira vida cristã. Ela é cheia de graça e bendita entre as mulheres, foi a Palavra de Deus que nos disse.
Os anjos a coroaram como Rainha do Céu, vitoriosa sobre a serpente e o mal. Ela é a Senhora de todos os povos. Virgem, é o símbolo da pureza que deve revestir o cristão fiel. Enfim, ela é mãe. Neste mês das mães, lembremos das nossas mães como Jesus com certeza nunca se esqueceu da sua. E como nossa mãe Maria, tornemo-nos instrumentos nas mãos de Deus a fim de transformarmos a água em vinho de alegria para que a festa da vida não termine jamais. Salve Maria! Vivamos o mês de Maio!


sábado, 24 de abril de 2010

E o Papa chorou

"Quando Nietsche chorou"... é o título de um romance recente que tenta levar o leitor a mergulhar nas profundezas da alma de um filósofo que parecia insensível, mas que na realidade apenas tinha uma maneira diferente de sentir. Nestes dias em que a Igreja está sofrendo com os escândalos provocados por sacerdotes que assumiram um comportamento vergonhoso, muitos olham para o Papa Bento XVI, tentando desvendar o que se esconde por trás de seu rosto aparentemente frio. E certamente há mesmo aqueles que, de alguma forma, se alegram com o olhar cansado do Papa, pois são incapazes de deixar de ver nele o que julgavam ser o olhar duro do Cardeal Ratzinger.

Quando Nietsche chorou, ele abriu seu coração, e revelou-se um ser humano como outro qualquer, sujeito a dores e sofrimentos. Por isso mesmo, um ser extremamente sensível, apenas que sua sensibilidade era recatada. Pelo que foi noticiado há dias, Bento XVI chorou. E com certeza esta não foi a única vez que lágrimas furtivas brotaram de seus olhos. É que, segundo o testemunho de quem o conhece mais de perto, ele sempre foi extremamente sensível para com as pessoas, amigo da música e das artes, além de um filósofo e teólogo que vem marcando o pensamento cristão há décadas.

Quando se fica num plano mais imediato não é preciso dizer o porquê das lágrimas de Bento XVI, pois uma certa mídia já se encarregou de explorar, de maneira impiedosa, não só o comportamento daqueles sacerdotes, mas o comportamento do próprio Papa. Com isto até mesmo quem não nutre grande entusiasmo por sua maneira de ser não pode deixar de encontrar a razão de suas lágrimas e nem pode deixar de pressupor que sua cruz se tornou ainda mais pesada.

E no entanto, a razão mais profunda das lágrimas do Papa só serão devidamente compreendidas quando se recorda uma cena vivida por Jesus, quando, no alto do Monte das Oliveiras, chorou sobre Jerusalém. Chorou sobre aquela cidade que deveria brilhar como a luz do sol por abrigar o Templo de Deus, e que no entanto foi obscurecida por pequenos mas expressivos grupos que traíram a missão que Deus reservara ao Povo de Israel. As lágrimas de Jesus eram de decepção, e particularmente de compaixão.

Com certeza, Jesus era um homem sensível. Para constatar isto basta trazer à mente certas cenas nas quais se vê Jesus decantando a beleza dos lírios dos campos e do chilrear das aves do céu. Num nível mais profundo a sensibilidade de Jesus se manifesta no amor que nutria pelos que o seguiam, homens e mulheres, crianças e adultos, santos e pecadores, ricos e pobres. Talvez seja até por isso que escolheu Judas para ser um dos doze apóstolos, pois olhava a todos com os olhos de Deus e confiava na força misericordiosa do Pai e na consequente possibilidade de regeneração até dos maiores pecadores.

Num nível mais profundo ainda, Jesus não sentiu nenhum constrangimento em tomar as crianças no colo e proclamar que delas é o Reino dos céus. Entretanto, a maior expressão da sensibilidade de Jesus foi certamente aquela de condenar, com veemência, o pecado, mas procurar o resgate do pecador: "vai e não peques mais". Ele proclama várias vezes não ter vindo para os justos, mas para os pecadores; não veio para os saudáveis, mas para os doentes.

Ora, é à luz desta atitude de Jesus que se compreendem as lágrimas do Papa. Como qualquer homem, sobretudo com uma função tão especial dentro da Igreja, ele certamente teve vontade de pegar um chicote e expulsar os vendilhões do templo. E no entanto, ao mesmo tempo lá no fundo do seu coração, com certeza brotava outro sentimento: o de proceder como Jesus, sobretudo quando pendurado no alto da cruz, perdoando até o ladrão que pendia a seu lado. Bastou que este ladrão mostrasse seu arrependimento para ouvir aquelas palavras que jamais podem ser esquecidas: "ainda hoje estarás comigo no paraíso".

Essas considerações nada tem a ver com uma tentativa inútil de justificar o que é injustificável. Repetidas vezes a Igreja condenou a pedofilia como crime e como pecado, crime e pecado tanto mais graves quando cometidos pelos que deveriam ser exemplo de fidelidade aos mandamentos de Deus. E repetidas vezes a mesma Igreja deixou claro que, uma vez comprovada a culpa, os acusados seriam devidamente punidos e as vítimas socorridas. E com certeza é isto que acontecerá.

Mas onde estariam então as razões das lágrimas do Papa? Não deve ter sido muito comum ao longo da história da Igreja ver um Papa chorar. Uma das razões aponta para a vergonha que todas as pessoas da Igreja sentem diante de fatos similares. Outra razão aponta para a tentativa de, a partir de fatos lamentáveis, se tentar macular toda a Igreja de Cristo, e com isso soltar uma espécie de “grito de independência” ou de “liberação geral” de todos os valores evangélicos.

E no entanto, sem medo de errar, parece que a razão mais profunda das lágrimas do papa radicam num conflito doloroso que se estabelece quando se tenta unir justiça e misericórdia. Decepcionado como todo mundo, indignado como todo mundo, um Papa não pode simplesmente compartilhar de uma certa histeria que se apoderou de alguns setores da sociedade. Afinal, não apenas esses crimes e estes pecados infelizmente atingem milhões de pessoas afetivamente desestruturadas, como também não são os únicos crimes e pecados que bradam aos céus. Eles apenas são mais chocantes.

Finalmente e felizmente, as lágrimas do Papa não são o capítulo final da história. No caso de Jesus, que não só chorou, como também teve seu corpo marcado pelo suor e pelo sangue, o capítulo final aconteceu na manhã de Páscoa, quando Deus interveio e o ressuscitou dos mortos. A sexta feira santa nunca é o capítulo final. O capítulo final é sempre o da Ressurreição.

Quanto maior a queda, tanto mais propícia a oportunidade de se revelar a pedagogia divina: O mesmo Deus que derruba os poderosos de seus tronos, revela sua força na fraqueza humana. E Ele certamente vai indicar o caminho para que volte a brilhar a luz pascal no rosto hoje manchado de lama da Igreja porque um certo número de seus filhos mergulhou nela.


Dr. Frei Antônio Moser

do site cancaonova.com


terça-feira, 6 de abril de 2010

Vida nova em Cristo

Um dia, Maria Madalena teve coragem de se aproximar de Cristo para ouvi-Lo de perto, dessa forma, experimentou todo o amor e a misericórdia de Deus. Jesus não a reprovou, por isso, ela pôde sentir Sua misericórdia e vislumbrar a possibilidade de ser diferente. Deixou tudo para trás porque viu que Ele era o Messias anunciado pelos profetas desde Moisés.

Você também tem essa chance. O seu coração sempre buscou isso, mesmo na vida errada que andava vivendo, desde as coisas do sexo às da mentira, falsidade, orgulho, vaidade, corrupção, entre outras. Você tem agora a oportunidade de deixar tudo isso e buscar a vida nova em Cristo! Hoje o Senhor está lhe dando a graça de romper com a mediocridade.

Hoje, Jesus Cristo ressuscitou você em primeiro lugar e lhe deu uma vida nova. Agora é o dia da salvação para você! Hoje é o dia favorável. Decida-se! E a decisão é só sua, ninguém pode decidir por você.

"Viva Jesus, que não deixa de consolar quem n'Ele confia e espera!" (Padre Pio de Pietrelcina)


Monsenhor Jonas Abib (do site cancaonova.com)


quinta-feira, 1 de abril de 2010

Tríduo Pascal

O cálice por nós abençoado é a nossa comunhão com o sangue do Senhor.
Com as celebrações desta quinta feira santa, damos abertura ao Tríduo Pascal, onde celebramos o ápice da nossa liturgia e nossa fé cristã.
São celebrações diferentes daquelas que estamos costumados a participar. Ao mesmo tempo simples e belas. Ao mesmo tempo tristes e alegres. Cheias de significado. Celebramos a entrega de Jesus por nós. Contemplamos, pela sua cruz, a ressurreição.
Este chamado Tríduo Pascal começa com a quinta feira da instituição da eucaristia e do sacerdócio, passa pela sexta feira da tristeza e da morte, no sábado, dia do silêncio e da oração à espera do Cristo que ressuscitará no domingo. E é no sábado à noite que celebramos a solene vigília da Páscoa, a noite batismal, onde renascemos com Cristo para uma vida nova.
Que este seja um momento para vivenciarmos profundamente a nossa fé. Participemos então com entusiasmo e piedade! Jesus que morre por nós ressuscita glorioso nos dando vida nova e salvação.


terça-feira, 23 de março de 2010

Preparemo-nos!

Semana das Dores. Estamos às portas da grande celebração cristã. Centro de nossa fé. Daqui há uns poucos dias, com a celebração do Domingo de Ramos e da Paixão, entramos nos dias mais ricos da nossa liturgia e da piedade popular. Por isso, preparemos nosso coração.
O Cristo que entra triunfalmente em Jerusalém é o mesmo que, por causa dos nossos pecados, derramou seu sangue na cruz. Mas o seu sacrifício não foi em vão. Vislumbramos lá adiante a sua glória, certeza da nossa ressurreição e razão da nossa fé.
As celebrações da Semana Santa são as mais bonitas e mais carregadas de significado que temos na nossa liturgia católica. Não se celebra assim em nenhuma momento do ano, já que as liturgias solenes desta semana são particularmente diferentes das demais de todo o ano litúrgico.
Nossa participação é importante a fim de contemplarmos a beleza que nossa Igreja nos apresenta, buscando compreender os gestos no silêncio e com sentimento cristão. Piedosamente, dirijamo-nos ao Cristo Jesus, nosso Salvador, que pela sua cruz nos deu Vida plena.


domingo, 14 de março de 2010

Crisma na paróquia

Pela primeira vez, nossa paróquia realiza crisma fora da matriz. O sacramento será conferido pelo vigário episcopal, o padre Geraldo Leocádio, em Bicuíba. Embora em quantidade considerável, o grupo de crismandos é bem pequeno. Todas as comunidades estarão reunidas hoje, 14 de março na Capela de Santo Antônio em Bicuíba às 15 horas, para celebrarem juntas a confirmação do batismo de nossos irmãos e irmãs. De acordo com o padre Luiz Martins, ainda este ano teremos mais uma vez a oportunidade de participarmos de uma celebração assim. Só que a próxima crisma será em Granada, na Matriz, e provavelmente contará com a presença de nosso arcebispo Dom Geraldo Lyrio Rocha, em sua primeira vinda à nossa paróquia. Que neste domingo do filho pródigo, os adolescentes e jovens se voltem ao Pai misericordioso e acolhedor, buscando as luzes do Espírito Santo, a fim de se fortalecerem na sua caminhada como verdadeiros membros da Igreja.


terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Por uma economia em favor da vida

CF2010 "Como a fé cristã pode inspirar uma economia que seja dirigida para a satisfação das necessidades humanas e para a construção do bem comum?”. Esta é uma das perguntas que a Campanha da Fraternidade, a ser lançada nesta quarta-feira, 17, tentará responder.

Com o tema “Economia e Vida”, sob o lema “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”, a Campanha será realizada por cinco Igrejas cristãs, membros do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs no Brasil (Conic). Além da Igreja Católica, participam do Conic a Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU), Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) e Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia (ISO).

Escolhido há dois anos, o tema será debatido num contexto de crise mundial financeira, deflagrada no final de 2008, e de eleições. No centro das reflexões propostas pelas Igrejas está a concepção de uma economia a serviço da vida, no respeito à dignidade da pessoa humana e ao planeta Terra.

“O Conic não quer limitar-se a criticar sistemas econômicos. Principalmente, espera que a Campanha mobilize Igrejas e sociedade a dar respostas concretas às necessidades básicas das pessoas e à salvaguarda da natureza, a partir de mudanças pessoais, comunitárias e sociais, fundamentas em alternativas viáveis derivadas da visão de um mundo justo e solidário”, diz o texto base da Campanha, que, pela terceira vez, é realizada ecumenicamente.

Para alcançar os objetivos da Campanha, o Conic propõe como estratégias “denunciar a perversidade de todo modelo econômico que vise em primeiro lugar o lucro”. Propõe, ainda, “educar para a prática de uma economia de solidariedade”, além de conclamar toda a sociedade “para ações sociais e políticas” que levem a uma economia de solidariedade.

O tempo da Quaresma em que é realizada a Campanha da Fraternidade favorece a conversão “social, eclesial, comunitária e pessoal”, de acordo com o Conic.


Pedagogia litúrgica - mês de abril de 2011

Abril pode ser definido como o grande “mês pascal” da Liturgia. Na realidade todos os meses celebram o dom da Páscoa, mas este se faz mais evidente, porque nele torna-se palpável a passagem da vida divina em nossas celebrações e em nossas vidas. É assim com Jesus passando e iluminando nossas cegueiras (4DQ), é assim com Jesus derrotando a morte em Lázaro para que faça sua Páscoa, saindo da morte para voltar a viver (5DQ).

Esta característica pascal se manifesta na alegria da “Dominica laetare”, que exulta de alegria pela proximidade da Páscoa de Jesus Cristo (4DQ). Exultação de alegria manifestada na simbologia da luz de Jesus Cristo, capaz de iluminar a escuridão de olhos cegos para se viver na verdade do Evangelho, correspondendo à vocação cristã de se deixar iluminar pelo Evangelho. A cura do cego nato demonstra como Jesus ilumina a vida do batizado e promove nele a graça de participar da nova criação, propondo-lhe um novo estilo de viver (4DQ), revestindo-nos com a veste da vida divina, oferecida pelo próprio Jesus Cristo, para não compactuarmos com a cultura da morte, mas sempre com a promoção da vida (5DQ). O cristão não é um monte de ossos ressequidos, pois seu corpo é morada do Espírito de Deus, quer dizer, do Espírito que enche a vida humana com a vida divina. O cristão que se faz discípulo de Jesus não vive em sepulturas, mas na festa da vida (5DQ).

Diante da Cruz

Um bom modo de viver a Semana Santa é colocar-nos diante da Cruz de Jesus Cristo. No momento da crucifixão, três grupos de pessoas passaram diante da Cruz: aquele povão, que buscava um pop-star, mas se decepcionou quando o viu fazendo a vontade do Pai, os intelectuais com uma cultura incapaz de compreender a lógica divina, e os malfeitores, que foram crucificados com Jesus, um de cada lado. Em qual destes grupos você se identificaria, hoje. A resposta só pode ser dada depois de refletir profundamente como você vive a vida cristã, se próximo ou distante de Deus. Mas, existem outros convites para se entrar bem na Semana Santa. Jesus, por exemplo, passou aquela Semana marcada pelo sofrimento fortalecendo-se na certeza que voltava ao Pai. É com este espírito que ensina o caminho através do serviço, pelo gesto do lava-pés. Um gesto de serviço, que não nos deixa desanimar diante da visão da Cruz. Mesmo assim, é preciso reconhecer que perguntas e questionamentos jamais cessaram (nem cessarão) diante do sofrimento; de todas as formas de sofrimento. De algum modo, todos beberemos (alguns irmãos e irmãs bebem) deste cálice tão amargo para a humanidade. Diante desta Cálice, que Jesus pede para ser afastado, é possível presenciar em Jesus a sede de fazer a vontade do Pai. O cálice da vontade do Pai é mais importante que o medo do cálice do sofrimento e da morte. O Pai reconhece o amor de Jesus, aceita seu sacrifício e o livra da morte, ressuscitando-o.

Diante da Ressurreição

A força da Páscoa não se esconde somente no fato histórico, acontecido em Jesus Cristo. Mais que uma realidade histórica, é também uma realidade que aconteceu na vida de Jesus Cristo: ele morreu e o Pai o ressuscitou. É também uma realidade que se atualiza em nossos dias, nos sacramentos celebrados na Igreja, através do testemunho vivo dos discípulos de Jesus, na promoção da vida onde a humanidade (de hoje) esquece ou tenta afastar Deus da sua história.

A Ressurreição de Jesus traz uma realidade nova para o mundo: nós podemos participar da vida divina, porque pela Ressurreição de Jesus o mundo de Deus entrou definitivamente no mundo humano. O modo como participamos da vida divina é semelhante ao fermento que leveda a massa do pão: é uma experiência interior, que faz crescer o amor e a fé dentro de quem se torna discípulo amado de Jesus. Este não exige muitas provas porque é capaz de ler na simplicidade dos sinais a passagem divina.

Formação Litúrgica

Ministério de Leitores

A Liturgia da Palavra é uma celebração. É necessário, pois, que se note que celebramos a Palavra, como depois celebramos a Eucaristia.

Assim, não é nem um momento de leituras atropeladas que se colocam antes da homilia e da celebração eucarística; nem uma reunião de instrução ou de discussão que, depois, concluirá com os ritos eucarísticos (que ficarão, assim, desvalorizados, porque não são tão "instrutivos").

O serviço do leitor é muito importante dentro da assembléia. Os que o realizam devem estar conscientes disso e viver a alegria e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de ser os que tornarão possível que a assembléia receba e celebre aquela Palavra com a qual Deus fala aos seus fiéis, aqueles textos que são como que textos constituintes da fé.

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