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domingo, 23 de maio de 2010

A Unidade Cristã

Celebramos a solenidade de Pentecostes, recordando o dia feliz em que o Espírito Santo confirmou a Igreja nascente. Lá estavam os apóstolos, Maria e outros seguidores de Jesus, testeminhas fiéis dele e de sua Igreja. Antes o próprio Jesus, ao anoitecer do dia da páscoa, como relata o evangelho de João, transmitiu o sopro do Espírito aos discípulos. Este sopro dá vida à Igreja e autoridade com a qual ela é investida. Este sopro dá coragem, pois as portas fechadas do medo não podem cercar o anúncio do Evangelho, que agora é transmitido a todos, de todas as línguas, raças e nações.
Nesta semana que antecedeu a Pentecostes, as Igrejas-membro do CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs) nos chamaram a refletir sobre a unidade cristã. Não queremos com isso dizer que há uma só Igreja/Assembléia, mas sim que há "um só rebanho e um só pastor", vivendo aquela paz transmitida por Cristo, na tolerância e fraternidade, partilhando o mesmo evangelho.
Infelizmente, esta não é a realidade da nossa sociedade. Vemos muitos grupos religiosos se dividindo conforme o interesse de seus fundadores (até no catolicismo para não dizer que este seja um fenômeno protestante), surgindo a multiplicação das seitas. Prova disso é que só cinco igrejas fazem parte do CONIC.
Por outro lado, lamentavelmente, vemos irmãos nossos se valendo da definição de que "Deus " para terem uma religião de satisfação individual, sem vínculo, à qual só se recorre quando se precisa. Esta é uma religião "delivery", de entrega a domicílio, ou "self service", à escolha da pessoa, onde há "satisfação garantida".
Realmente, Deus é um só, mas as religiões existem para nos conduzirem a ele e não para satisfazer nossos interesses. Deus está em todo lugar, mas todo lugar precisa se voltar para Deus. Ele exige de nós compromisso, prontidão, disposição.
Enfim, faz jus à sua fé o cristão que a professa com convicção, seja qual for a sua Tradição religiosa. Cabe a nós, no nosso ambiente, vivenciarmos a nossa fé e externá-la com as obras. Não basta apenas rezar e esperar o milagre. É preciso viver como Igreja, em comunidade, e cumprir os preceitos de Deus e da Igreja, participando como se pode. Deus não vai simplesmente fazer cair do céu as coisas de que necessitamos se não as buscarmos e não fizermos por merecê-las. Sejamos testemunhas fiéis.


segunda-feira, 3 de maio de 2010

Maio, lindo mês de Maria

Quando chega o mês de maio, nossas igrejas se enchem de luz. É o mês de Maria, nossa mãe, mãe de Deus, mãe de Jesus. Ela participou ativamente do projeto de salvação e na formação da Igreja. Ela mereceu dos primeiros cristãos o título de Mãe de Deus, aquela que trouxe o próprio Deus feito carne em seu seio.
Quem pode duvidar daquilo que o próprio Deus realizou em favor de Maria, humilde serva do Senhor? Ela foi fiel, firme e disposta ao serviço. Colocou-se à disposição de Deus, dando-nos um exemplo de humildade e verdadeira vida cristã. Ela é cheia de graça e bendita entre as mulheres, foi a Palavra de Deus que nos disse.
Os anjos a coroaram como Rainha do Céu, vitoriosa sobre a serpente e o mal. Ela é a Senhora de todos os povos. Virgem, é o símbolo da pureza que deve revestir o cristão fiel. Enfim, ela é mãe. Neste mês das mães, lembremos das nossas mães como Jesus com certeza nunca se esqueceu da sua. E como nossa mãe Maria, tornemo-nos instrumentos nas mãos de Deus a fim de transformarmos a água em vinho de alegria para que a festa da vida não termine jamais. Salve Maria! Vivamos o mês de Maio!


Pedagogia litúrgica - mês de abril de 2011

Abril pode ser definido como o grande “mês pascal” da Liturgia. Na realidade todos os meses celebram o dom da Páscoa, mas este se faz mais evidente, porque nele torna-se palpável a passagem da vida divina em nossas celebrações e em nossas vidas. É assim com Jesus passando e iluminando nossas cegueiras (4DQ), é assim com Jesus derrotando a morte em Lázaro para que faça sua Páscoa, saindo da morte para voltar a viver (5DQ).

Esta característica pascal se manifesta na alegria da “Dominica laetare”, que exulta de alegria pela proximidade da Páscoa de Jesus Cristo (4DQ). Exultação de alegria manifestada na simbologia da luz de Jesus Cristo, capaz de iluminar a escuridão de olhos cegos para se viver na verdade do Evangelho, correspondendo à vocação cristã de se deixar iluminar pelo Evangelho. A cura do cego nato demonstra como Jesus ilumina a vida do batizado e promove nele a graça de participar da nova criação, propondo-lhe um novo estilo de viver (4DQ), revestindo-nos com a veste da vida divina, oferecida pelo próprio Jesus Cristo, para não compactuarmos com a cultura da morte, mas sempre com a promoção da vida (5DQ). O cristão não é um monte de ossos ressequidos, pois seu corpo é morada do Espírito de Deus, quer dizer, do Espírito que enche a vida humana com a vida divina. O cristão que se faz discípulo de Jesus não vive em sepulturas, mas na festa da vida (5DQ).

Diante da Cruz

Um bom modo de viver a Semana Santa é colocar-nos diante da Cruz de Jesus Cristo. No momento da crucifixão, três grupos de pessoas passaram diante da Cruz: aquele povão, que buscava um pop-star, mas se decepcionou quando o viu fazendo a vontade do Pai, os intelectuais com uma cultura incapaz de compreender a lógica divina, e os malfeitores, que foram crucificados com Jesus, um de cada lado. Em qual destes grupos você se identificaria, hoje. A resposta só pode ser dada depois de refletir profundamente como você vive a vida cristã, se próximo ou distante de Deus. Mas, existem outros convites para se entrar bem na Semana Santa. Jesus, por exemplo, passou aquela Semana marcada pelo sofrimento fortalecendo-se na certeza que voltava ao Pai. É com este espírito que ensina o caminho através do serviço, pelo gesto do lava-pés. Um gesto de serviço, que não nos deixa desanimar diante da visão da Cruz. Mesmo assim, é preciso reconhecer que perguntas e questionamentos jamais cessaram (nem cessarão) diante do sofrimento; de todas as formas de sofrimento. De algum modo, todos beberemos (alguns irmãos e irmãs bebem) deste cálice tão amargo para a humanidade. Diante desta Cálice, que Jesus pede para ser afastado, é possível presenciar em Jesus a sede de fazer a vontade do Pai. O cálice da vontade do Pai é mais importante que o medo do cálice do sofrimento e da morte. O Pai reconhece o amor de Jesus, aceita seu sacrifício e o livra da morte, ressuscitando-o.

Diante da Ressurreição

A força da Páscoa não se esconde somente no fato histórico, acontecido em Jesus Cristo. Mais que uma realidade histórica, é também uma realidade que aconteceu na vida de Jesus Cristo: ele morreu e o Pai o ressuscitou. É também uma realidade que se atualiza em nossos dias, nos sacramentos celebrados na Igreja, através do testemunho vivo dos discípulos de Jesus, na promoção da vida onde a humanidade (de hoje) esquece ou tenta afastar Deus da sua história.

A Ressurreição de Jesus traz uma realidade nova para o mundo: nós podemos participar da vida divina, porque pela Ressurreição de Jesus o mundo de Deus entrou definitivamente no mundo humano. O modo como participamos da vida divina é semelhante ao fermento que leveda a massa do pão: é uma experiência interior, que faz crescer o amor e a fé dentro de quem se torna discípulo amado de Jesus. Este não exige muitas provas porque é capaz de ler na simplicidade dos sinais a passagem divina.

Formação Litúrgica

Ministério de Leitores

A Liturgia da Palavra é uma celebração. É necessário, pois, que se note que celebramos a Palavra, como depois celebramos a Eucaristia.

Assim, não é nem um momento de leituras atropeladas que se colocam antes da homilia e da celebração eucarística; nem uma reunião de instrução ou de discussão que, depois, concluirá com os ritos eucarísticos (que ficarão, assim, desvalorizados, porque não são tão "instrutivos").

O serviço do leitor é muito importante dentro da assembléia. Os que o realizam devem estar conscientes disso e viver a alegria e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de ser os que tornarão possível que a assembléia receba e celebre aquela Palavra com a qual Deus fala aos seus fiéis, aqueles textos que são como que textos constituintes da fé.

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